Vias de santidade

chiara-lubich 2“Vocês não devem, para se fazer santos, obedecer ao sininho da superiora ou do superior que chama à oração. Vocês devem obedecer à sirene da fábrica, à campainha da escola… É ali que vocês se santificam; é ali que a ‘noite escura’ de vocês… É com as ferramentas do seu ofício que vocês se fazem santos: a caneta do professor, o cinzel do escultor; este é o seu crucifixo de missionário, com eles vocês se santificam. Se vocês não clarificam aquele ambiente, se não iluminam aquela escola, aquela outra estrutura, que coisa fazem? Temos alguns irmãozinhos a mais, mas não temos a renovação do mundo e da sociedade”. (Chiara Lubich)

  • Foto: Chiara Lubich – fundadora do Movimento dos Focolares.
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Evangelho do dia 12/11/17 (Mt 25,1-13)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas.

O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormindo. No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar dos vendedores’.

Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora”.

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comunicado

 

COMUNICADOS AOS MEUS ALUNOS

 

 

Publicado em 16/11/2017

– Colegiadas: se darão na aula do último dia letivo.

– Trabalhos avaliativos: deverão ser entregues no dia da respectiva colegiada.

– Trabalhos de revisão (não avaliativos): deverão ser feitos em casa e levados para correção em sala nas duas aulas que antecederem à colegiada.

Palavra de Vida – Novembro de 2017

“O maior dentre vós deve ser aquele que vos serve.” (Mt 23,11)

Dirigindo-se à multidão que o seguia, Jesus anunciava a novidade do estilo de vida daqueles que querem ser seus discípulos, um estilo “contracorrente” diante da mentalidade mais difundida .
Naquele tempo, como também hoje, era fácil fazer discursos moralistas e depois não viver coerentemente, procurando para si, em vez disso, posições de prestígio no contexto social, maneiras de ficar em relevo e de servir-se dos outros para obter vantagens pessoais.
Mas aos seus discípulos Jesus pede uma lógica totalmente diferente nas relações com os outros, aquela que Ele mesmo viveu:

“O maior dentre vós deve ser aquele que vos serve.”

Em um encontro com pessoas desejosas de descobrir como se vive o Evangelho, Chiara Lubich partilhou deste modo a sua experiência espiritual:
“Deve-se sempre fixar o olhar no único Pai de muitos filhos. Depois, olhar para todas as criaturas como filhas de um único Pai. (…) Jesus, nosso modelo, ensinou-nos apenas duas coisas que são uma: a sermos filhos de um só Pai e a sermos irmãos uns dos outros. (…) Portanto, Deus nos chamava à fraternidade universal”.
É essa a novidade: amar a todos, como fez Jesus, porque todos – como eu, como você, como qualquer pessoa na terra – são filhos de Deus, amados e esperados desde sempre por Ele.
Desse modo descobrimos que o irmão a ser amado concretamente, “também com os músculos”, é cada uma daquelas pessoas que encontramos diariamente. É o papai, a sogra, o filho pequeno, o filho revoltado. É o detento, o mendigo e o deficiente. É o chefe da repartição e é a faxineira. É o companheiro de partido e é aquele que tem ideias políticas diferentes das nossas. É quem tem a nossa mesma fé e cultura, mas também o estrangeiro.
A atitude tipicamente cristã para amar o irmão é colocar-se a seu serviço:

“O maior dentre vós deve ser aquele que vos serve.”

Diz ainda Chiara: “Aspirar constantemente ao primado evangélico, colocando-se o mais possível a serviço do próximo. (…) E qual é o modo melhor de servir? Fazer-se “um” com cada pessoa que encontramos, sentindo em nós os seus sentimentos: assumi-los como coisa nossa, que se tornou nossa pelo amor. (…) Ou seja: não mais viver fechados em nós mesmos; procurar carregar os seus pesos, compartilhar as suas alegrias”.
Toda e qualquer capacidade e qualidade positiva que tenhamos, tudo aquilo que nos possa fazer sentir “grandes” é uma ocasião imperdível de serviço: a experiência profissional, a sensibilidade artística, a cultura, como também a capacidade de sorrir e de fazer sorrir; o tempo que podemos oferecer para escutar a quem tem dúvidas ou está sofrendo; as energias da juventude, como também a força da oração, quando a força física se desvanece.

“O maior dentre vós deve ser aquele que vos serve.”

E esse amor evangélico, desinteressado, mais cedo ou mais tarde acende no coração do irmão o mesmo desejo de partilha, renovando os relacionamentos na família, na paróquia, nos lugares de trabalho ou de lazer e colocando as bases para uma nova sociedade.
Hermez, um adolescente do Oriente Médio, conta: “Era domingo. Assim que acordei pedi a Jesus que me iluminasse o dia todo no meu modo de amar. Percebi que meus pais tinham ido à Missa e me veio a ideia de limpar e arrumar a casa. Procurei caprichar em todos os detalhes, até mesmo com flores em cima da mesa! Depois preparei o café da manhã, arrumando tudo. Quando voltaram, meus pais ficaram surpresos e muito felizes com o que encontraram. Naquele domingo tomamos café mais felizes do que nunca, conversando sobre muitas coisas, e consegui contar para eles as muitas experiências que tinha vivido durante a semana. Aquele pequeno ato de amor tinha dado o toque para um dia maravilhoso!”

Letizia Magri

Lar

Ele construiu ali o seu templo.

Não era uma casa com tijolos e telhado.

Mas era uma morada bem construída

Dentro do coração de outra pessoa.

Onde estivesse, não importava.

Se com ele carregava a sua casa.

Bens físicos? Desapegado.

Mas o seu verdadeiro lar era muito bem decorado.

Chegava com seus enfeites e o tomava cada vez mais para si.

Tinha mais de um lar atual.

Havia também aquele que sempre foi intrínseco à sua existência.

Mesmo antes de vir ao mundo morava nele.

Que outras pessoas se encarregaram de construir.

Era mesmo como um templo pessoal.

Não era perfeito, mas era ideal para ele.

O tamanho certo e a mais aconchegante cama.

Mas, um dia, um caminho diferente resolveu seguir.

E, de seu lar, se afastou.

Sofreu, cresceu e aprendeu com a dor.

Percebeu que não é possível partida

De onde mora o amor.

Hoje, sorri quando se lembra

Que o melhor de qualquer ida

É poder sempre voltar para casa

Seja em qual formato ela for.

Luciana Lima – http://www.pensarparavariar.com.br

 

Um dia de chuva

Brainstorming em um dia de chuva

Ela estava cansada.

Cansada das aparências. Cansada daquele mundo superficial.

Como se as pessoas não passassem de bonecos de plástico de um jogo de faz-de-conta.

Nesse jogo, só se ouve monólogos.

Ela esgotou-se ao doar-se a um nível e em uma qualidade que já não se via mais.

Acostumada a sempre ouvir majoritariamente, estranhou quando se pegou falando de si daquela forma.

Ela quase nunca falava muito de si, e não pôde evitar de se observar.

Outra coisa da qual estava cansada. Do seu eu observador sempre ligado. Da voz interior sempre apontando, contradizendo, questionando, expondo, evidenciando.

Observadora. Uma característica que vem de fábrica aos escritores.

Reais escritores observam e escrevem a sua verdade.

Mas, notou, escrever pensando nos outros não é autêntico.

Que tipo de arte ou qualquer tipo de expressão interior é autêntica se for feita para os outros?

Não. De Van Gogh a Machado de Assis, todos eles faziam sua arte essencial para si mesmos.

Van Gogh… Você era um cara amargurado, não é? Sua biografia e seus autorretratos podem dizer que sim.

Pergunto-me porque a maioria dessas mentes sentiam o peso da inquietação como companhia. Eternos inconformistas? Incompreendidos? Peças que não se encaixavam no complexo quebra-cabeças do mundo?

Bom, todos nós travamos as nossas lutas.

Ah, se você soubesse as lutas que ela travava. Imaginaria?

As pessoas podem ser mesmo uma caixinha de surpresas.

Quantas faces você tem? Uma? Quatro?

Normalmente ela tinha duas: quando estava em sua essência a pleno vapor sendo o entusiasmo em extroversão, e quando estava em sua essência em baixa frequência sendo a calma em introspecção.

Se você a conheceu com outra face, foi erro de percurso. Às vezes o equilíbrio entre as duas, quase sempre estável, tomba e as obscurece.

Se você a conheceu apenas por uma delas, você não a conheceu.

E assim é a vida. O nosso mundo é cheio de pessoas as quais não conhecemos de verdade. Seguimos aprendendo nomes sem saber de suas faces. Colecionamos contatos sem ter contato com nenhum coração.

Ela sentia falta da profundidade. Do mergulho adentro. Da pérola a aguardar dentro da concha.

De alguns inconformistas de preenchimento, de algumas peças que se recusavam a encaixar na vida em forma de jogo de tabuleiro.

Onde estariam os artistas de si mesmos contemporâneos?

Ela procuraria como um peixe busca a água em suas entranhas para sobreviver.

Mergulharia otimista e daria de encontro ao raso muitas vezes e quantas vezes precisasse.

Porém, enfim preferira apenas observar de longe.

Sem dúvida, ela estava cansada.

Cansada das aparências. Cansada daquele mundo superficial.

Luciana Lima – http://www.pensarparavariar.com.br

 

Pássaro

Ela era um pássaro livre. Nunca esteve presa em uma gaiola, não nascera em cativeiro. Era fruto da natureza bruta, a qual a treinou bem e fez quem ela era. Tinha o céu inteiro para si e no passado desbravava-o com leveza e sem pressa, apreciando os raios de sol. Mas, naquele tempo, havia algo diferente. Voava baixo e, notava-se, com muito esforço para permanecer no ar. Batia as asas em passo irregular, como se essas não suportassem o seu próprio peso. E talvez fosse isso. Voava com sobrecarga.

Queria alçar voo e sobrevoar as mais belas paisagens como sempre havia feito, mas algo a mantinha perto do solo, como se a puxasse para baixo. Estava carregando coisa demais.

Foi então que caiu em si. Quando se viu presa mesmo sendo livre, desesperou-se. Procurou atônita ao seu redor o que lhe causava esse efeito e só então percebeu que suas mãos estavam cerradas. Abriu-as. Sentiu algo cair e o peito ficando mais leve. Fechou os olhos e visualizou o céu infinito, sentindo-se cheia de ar por dentro.

Ela não se dava conta, mas não era um pássaro qualquer. Era uma águia. Dona do seu próprio destino, capaz de aniquilar o peso que carrega e transformá-lo em alimento.

Abriu as asas o máximo que conseguiu, sentiu a brisa a abraçar. Estufou o peito para o sol e na direção dos raios alçou voo. Foi-se a favor do vento até que se transformou em um ponto no céu, e nunca mais voltou a descer.

Luciana Lima – http://www.pensarparavariar.com.br